Continuam abertas as inscrições para o prêmio SESC de literatura 2013/2014, uma grande oportunidade para os escritores ainda não publicados no formato livro (requisito do edital). Ou seja, você enviará seu original na categoria conto ou romance (ou nas duas) e só concorrerá com outros "debutantes".
O prêmio, para quem quer construir uma carreira, não podia ser melhor: ser publicado pela editora Record.
Como as inscrições foram prorrogadas até 30/08, ainda dá tempo de deixar seu original no jeito e entrar pra ganhar. E se não ganhar, quem sabe você não ficará entre os finalistas? É um feedback e tanto, não?
Veja aqui mesmo no Papolivro uma entrevista com a escritora Luisa Geisler, vencedora do prêmio em ambas as categorias.
Abraços e boa sorte!!!
Thiago Rulius
sábado, 27 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
O preconceito com a ficção nacional e alguma reflexão relacionada
Vejam esta matéria do Jornal do Brasil ilustrando bem o preconceito de alguns leitores com a ficção nacional. O bacana do texto é que, além de exemplificar esta situação com um caso real, o autor Raphael Montes comenta os possíveis motivos para a nossa literatura não decolar. Acho especialmente importante a parte relacionada a autopublicação de livros que ainda não estão maduros e a edições de baixa qualidade, que só queimam o filme dos livros nacionais e do próprio autor.
http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2013/07/01/livro-nacional-nao-quero/
Para quem quer pagar sua própria edição, procure ver livros já editados pela prestadora de serviços para ver a qualidade de edição da obra, desde acabamento a erros de português. Avaliar o próprio texto não deixa de ser uma boa, afinal editoras que só lançam livros fracos podem já ser reconhecidas como ruins pelos clientes e reduzir as chances de sucesso comercial de sua obra.
Pode também ser boa opção contratar uma leitura crítica antes de submeter o original para editoras ou prestadoras de serviços, fazer os ajustes apontados no texto e só depois submetê-lo. Seria mais um ponto a favor da qualidade da obra. Eu (que não tenho ainda nenhum romance publicado) contratei o serviço para o romance que estou escrevendo e gostei muito do relatório recebido, que me chamou atenção para possíveis melhorias que posso fazer e também para perceber o que não ficou claro na obra, de acordo com a percepção da leitura.
Já sabemos que a ficção nacional não tem muito espaço nas livrarias, e na maioria dos casos recebe um tratamento comercial apenas secundário. Então, temos de pelo menos fazer (bem) a nossa parte.
Abraços
Thiago Rulius
http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2013/07/01/livro-nacional-nao-quero/
Para quem quer pagar sua própria edição, procure ver livros já editados pela prestadora de serviços para ver a qualidade de edição da obra, desde acabamento a erros de português. Avaliar o próprio texto não deixa de ser uma boa, afinal editoras que só lançam livros fracos podem já ser reconhecidas como ruins pelos clientes e reduzir as chances de sucesso comercial de sua obra.
Pode também ser boa opção contratar uma leitura crítica antes de submeter o original para editoras ou prestadoras de serviços, fazer os ajustes apontados no texto e só depois submetê-lo. Seria mais um ponto a favor da qualidade da obra. Eu (que não tenho ainda nenhum romance publicado) contratei o serviço para o romance que estou escrevendo e gostei muito do relatório recebido, que me chamou atenção para possíveis melhorias que posso fazer e também para perceber o que não ficou claro na obra, de acordo com a percepção da leitura.
Já sabemos que a ficção nacional não tem muito espaço nas livrarias, e na maioria dos casos recebe um tratamento comercial apenas secundário. Então, temos de pelo menos fazer (bem) a nossa parte.
Abraços
Thiago Rulius
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Nova biblioteca em BH
O centoequatro, espaço multiuso no centro de BH (que tem ainda galeria de arte, café e cinema - com filmes bons, fora do circuito) está inaugurando uma biblioteca com acervo especializado em artes visuais.
Ainda não tive oportunidade de visitar, mas a turma da literatura que se interesse por outras formas de expressão podem encontrar aí material valioso e disponível gratuitamente. Além do mais, caso existam livros de roteiro disponíveis, estes certamente interessarão aos escritores de ficção. Vou falar mais sobre livros de roteiro em um outro post qualquer dia destes (já estou preparando).
O acervo, de aproximados 1500 volumes, estará disponível apenas para consulta local.
Confira abaixo a programação da inauguração neste sábado 01/06/2013.
Sábado, 01 de junho de 2013
10h | Lançamento coletivo de livros dos artistas João Castilho, Rosângela Rennó, Pedro David, Júlio Martins, Marco Antônio Mota, Nitro Editorial, Amir Brito Cadôr, Viente Pessoa e Raquel Versieux. Distribuição de cartazes do Poro e lançamento da revista Nuvem nº6 Arquipélago Imaginário.
11h | Debate sobre a produção de livro de artista com Vicente Pessoa e Raquel Versieux e mediação do curador Júlio Martins.
Entrada gratuita
Relação dos livros que serão lançados:
_ A01 [cod.19.1.1.43] — A27 [s|cod.23], de Rosângela Rennó
_ Espelho diário, de Rosângela Rennó e Alicia Duarte Penna
_ Iluminuras, de Júlio Martins e Marco Antônio Mota
_ NEVEN, de Raquel Versieux e Vicente Pessôa
_ Os Chicos Prosa e Fotografia, Beira de Estrada e Harpia, da Nitro Editorial
_ Pulsão escópica, de João Castilho
_ Rota Raiz, de Pedro David
_ Edições Andante, de Amir Brito Cadôr
_ Revista Nuvem nº6 – Arquipélago Imaginário, coordenada por Brígida Campbell
Programação de inauguração retirada de http://www.centoequatro.org/
Abraços.
Thiago rulius
Ainda não tive oportunidade de visitar, mas a turma da literatura que se interesse por outras formas de expressão podem encontrar aí material valioso e disponível gratuitamente. Além do mais, caso existam livros de roteiro disponíveis, estes certamente interessarão aos escritores de ficção. Vou falar mais sobre livros de roteiro em um outro post qualquer dia destes (já estou preparando).
O acervo, de aproximados 1500 volumes, estará disponível apenas para consulta local.
Confira abaixo a programação da inauguração neste sábado 01/06/2013.
Sábado, 01 de junho de 2013
10h | Lançamento coletivo de livros dos artistas João Castilho, Rosângela Rennó, Pedro David, Júlio Martins, Marco Antônio Mota, Nitro Editorial, Amir Brito Cadôr, Viente Pessoa e Raquel Versieux. Distribuição de cartazes do Poro e lançamento da revista Nuvem nº6 Arquipélago Imaginário.
11h | Debate sobre a produção de livro de artista com Vicente Pessoa e Raquel Versieux e mediação do curador Júlio Martins.
Entrada gratuita
Relação dos livros que serão lançados:
_ A01 [cod.19.1.1.43] — A27 [s|cod.23], de Rosângela Rennó
_ Espelho diário, de Rosângela Rennó e Alicia Duarte Penna
_ Iluminuras, de Júlio Martins e Marco Antônio Mota
_ NEVEN, de Raquel Versieux e Vicente Pessôa
_ Os Chicos Prosa e Fotografia, Beira de Estrada e Harpia, da Nitro Editorial
_ Pulsão escópica, de João Castilho
_ Rota Raiz, de Pedro David
_ Edições Andante, de Amir Brito Cadôr
_ Revista Nuvem nº6 – Arquipélago Imaginário, coordenada por Brígida Campbell
Programação de inauguração retirada de http://www.centoequatro.org/
Abraços.
Thiago rulius
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Fórum das Letras 2013 - Debates
Já divulgaram a agenda do Fórum das Letras 2013, que será realizado em Ouro Preto no feriado e último fim de semana deste mês de maio. Veja por que você, escritor, deve comparecer.
Apesar do tema Literaturas de Origem ser inferior em termos de atratividade para o público deste blog se comparado ao do ano passado, ainda assim teremos debates da maior relevância voltados ao escritor.
Comento abaixo os que me parecem ser os principais:
30/05 - 14h30 - Homenagem aos 10 anos do Prêmio Sesc de Literatura
A importância dos prêmios na carreira de um escritor
Luisa Geisler, Lúcia Bettencourt, Rafael Gallo e Jeter Neves
Mediação: Maria Esther Maciel
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Tem tudo para sem muito enriquecedor. Luisa Geisler e Rafael Gallo são os vencedores do prêmio SESC de literatura 2011/2012. Uma ótima oportunidade para saber como as coisas andaram para estes autores antes e depois de vencer o concurso que tem como prêmio a publicação das obras pela editora Record.
A Luisa Geisler foi entrevistada pelo Papolivro. Leia a entrevista.
31/05 - 16h - Mudanças no mundo literário: ponto de vista do escritor, do agente e do editor
Flavio Carneiro, Vivian Wyler; Lúcia Riff
Mediação: Lucas Bandeira.
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Se a agente literária Lucia Riff trouxer ao debate a metade das informações que a também agente Ana Maria Santeiro trouxe ao debate "Como publicar o primeiro livro?" no Fórum das letras de 2012, esta mesa já terá valido a pena. A inovação de trazer outros profissionais da cadeia do livro elevou muito o nível do evento no ano passado e tenho certeza que fará muito bem ao Fórum das letras 2013 também.
01/06 - 16h - Estratégias para conquistar mais leitores
Eduardo Spohr, Ricardo Maciel dos Anjos
Mediação: Marianna Teixeira Soares
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Sei que muito autor pensa que este assunto não é da sua conta, que só a editora é que deve se preocupar e resolver este "problema". Para quem pensa desta maneira, recomendo rever sua opinião o quanto antes, ou podem estar dando o primeiro passo para "despontar rumo ao anonimato", como disse certa vez o escritor Stalislaw Ponte Preta.
Especialmente o autor que está debutando deve prestar atenção a este assunto. Se você não é ator da TV Globo nem uma pessoa conhecida, você definitivamente precisa contribuir com as vendas do seu livro. Você é quem o conhece melhor, é o principal interessado na questão comercial (já que a editora tem dezenas ou centenas de livros para lhe dar retorno financeiro, e você não), então certamente é a melhor pessoa para vendê-lo.
Vejam o caso do autor (que estará na mesa) Eduardo Spohr, de "A batalha do apocalipse". Não tivesse ele insistido em sua divulgação de formiguinha, no boca a boca e no podcast que lhe abriu as portas, e seu livro (inicialmente publicado de maneira independente) jamais teria vendido as 4.000 cópias que vendeu, atraindo assim a atenção da editora Record. Sem este esforço este escritor não estaria comemorando seus 350.000 exemplares vendidos (pelo que ouvi dizer).
Acho que estes são os debates, principais, pelo menos pensando no foco deste blog, que privilegia assuntos relacionados aos escritores que estão buscando seu espaço. Outros debates têm tudo para ser excelentes, mas extrapolam o escopo deste artigo. Caso queira verificar a agenda do Fórum das Letras, acesse o site oficial do evento.
Veja nos links abaixo a cobertura do Fórum das Letras pelo blog Papolivro nos dois últimos anos:
Fórum das letras 2011
Fórum das letras 2012
Abraços e até lá!
Thiago Rulius.
Apesar do tema Literaturas de Origem ser inferior em termos de atratividade para o público deste blog se comparado ao do ano passado, ainda assim teremos debates da maior relevância voltados ao escritor.
Comento abaixo os que me parecem ser os principais:
30/05 - 14h30 - Homenagem aos 10 anos do Prêmio Sesc de Literatura
A importância dos prêmios na carreira de um escritor
Luisa Geisler, Lúcia Bettencourt, Rafael Gallo e Jeter Neves
Mediação: Maria Esther Maciel
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Tem tudo para sem muito enriquecedor. Luisa Geisler e Rafael Gallo são os vencedores do prêmio SESC de literatura 2011/2012. Uma ótima oportunidade para saber como as coisas andaram para estes autores antes e depois de vencer o concurso que tem como prêmio a publicação das obras pela editora Record.
A Luisa Geisler foi entrevistada pelo Papolivro. Leia a entrevista.
31/05 - 16h - Mudanças no mundo literário: ponto de vista do escritor, do agente e do editor
Flavio Carneiro, Vivian Wyler; Lúcia Riff
Mediação: Lucas Bandeira.
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Se a agente literária Lucia Riff trouxer ao debate a metade das informações que a também agente Ana Maria Santeiro trouxe ao debate "Como publicar o primeiro livro?" no Fórum das letras de 2012, esta mesa já terá valido a pena. A inovação de trazer outros profissionais da cadeia do livro elevou muito o nível do evento no ano passado e tenho certeza que fará muito bem ao Fórum das letras 2013 também.
01/06 - 16h - Estratégias para conquistar mais leitores
Eduardo Spohr, Ricardo Maciel dos Anjos
Mediação: Marianna Teixeira Soares
Local: Espaço Sesc - Anexo do Museu da Inconfidência
Sei que muito autor pensa que este assunto não é da sua conta, que só a editora é que deve se preocupar e resolver este "problema". Para quem pensa desta maneira, recomendo rever sua opinião o quanto antes, ou podem estar dando o primeiro passo para "despontar rumo ao anonimato", como disse certa vez o escritor Stalislaw Ponte Preta.
Especialmente o autor que está debutando deve prestar atenção a este assunto. Se você não é ator da TV Globo nem uma pessoa conhecida, você definitivamente precisa contribuir com as vendas do seu livro. Você é quem o conhece melhor, é o principal interessado na questão comercial (já que a editora tem dezenas ou centenas de livros para lhe dar retorno financeiro, e você não), então certamente é a melhor pessoa para vendê-lo.
Vejam o caso do autor (que estará na mesa) Eduardo Spohr, de "A batalha do apocalipse". Não tivesse ele insistido em sua divulgação de formiguinha, no boca a boca e no podcast que lhe abriu as portas, e seu livro (inicialmente publicado de maneira independente) jamais teria vendido as 4.000 cópias que vendeu, atraindo assim a atenção da editora Record. Sem este esforço este escritor não estaria comemorando seus 350.000 exemplares vendidos (pelo que ouvi dizer).
Acho que estes são os debates, principais, pelo menos pensando no foco deste blog, que privilegia assuntos relacionados aos escritores que estão buscando seu espaço. Outros debates têm tudo para ser excelentes, mas extrapolam o escopo deste artigo. Caso queira verificar a agenda do Fórum das Letras, acesse o site oficial do evento.
Veja nos links abaixo a cobertura do Fórum das Letras pelo blog Papolivro nos dois últimos anos:
Fórum das letras 2011
Fórum das letras 2012
Abraços e até lá!
Thiago Rulius.
domingo, 14 de abril de 2013
Fórum das Letras 2013 de Ouro Preto: datas confirmadas!
O Fórum das Letras de Ouro Preto mudou para o primeiro semestre, e o período de realização já foi divulgado: 29 de maio a 2 de junho, no mesmo fim de semana do feriado de corpus christi. O tema do ano é "Literaturas de origem".
Não deixe de ir pois este evento vale muito a pena. Passear por Ouro Preto, conhecer seus museus, ateliês e galerias e caminhar por suas histórias é demais. Falando de literatura, melhor ainda.
Veja nos links abaixo a cobertura dos dois anos anteriores:
Fórum das letras 2011
Fórum das letras 2012
Para acompanhar outras noticias do evento deste ano, acesse o site oficial do evento.
Abraços
Thiago Rulius.
Não deixe de ir pois este evento vale muito a pena. Passear por Ouro Preto, conhecer seus museus, ateliês e galerias e caminhar por suas histórias é demais. Falando de literatura, melhor ainda.
Veja nos links abaixo a cobertura dos dois anos anteriores:
Fórum das letras 2011
Fórum das letras 2012
Para acompanhar outras noticias do evento deste ano, acesse o site oficial do evento.
Abraços
Thiago Rulius.
domingo, 3 de março de 2013
Panorama da vida do escritor brasileiro contemporâneo
Vou usar de cobaia (e depois vocês vão entender o motivo) para iniciar este post o escritor Luiz Ruffato, que tive a oportunidade de ouvir em um debate na ultima bienal do livro de Minas Gerais. Cara tranqüilo, simples e acessível. Já conhecia um pouco do trabalho do escritor, pois havia lido Eles eram muitos cavalos, e também Estive em Lisboa e me lembrei de você (e gostado de ambos).
Temos no Luiz um exemplo de escritor em tempo integral, que vive exclusivamente da escrita e seus desdobramentos, o que talvez seja o que os escritores ou aspirantes a escritores que acompanham este blog tenham como meta de vida. No caso do Luiz Ruffato, ele faz um pouco mais que apenas escrever: participa de eventos literários (como o que citei acima), trabalha como jurado em concursos literários e organiza antologias. Trabalhos que tem tudo a ver com literatura, mas que possivelmente são necessários para complementar a vida de um escritor de ficção nacional, que normalmente vende apenas uma fração daquelas que chegam de fora aos montes e dominam os espaços mais nobres das nossas livrarias.
Para quem que saber um pouco mais sobre a vida deste que me parece um dos nossos melhores escritores contemporâneos, leia esta matéria. Não se trata de fofoca, mas sim de um panorama da vida de um escritor brasileiro de ficção.
Espero que aproveitem.
Abraços.
Thiago Rulius
Temos no Luiz um exemplo de escritor em tempo integral, que vive exclusivamente da escrita e seus desdobramentos, o que talvez seja o que os escritores ou aspirantes a escritores que acompanham este blog tenham como meta de vida. No caso do Luiz Ruffato, ele faz um pouco mais que apenas escrever: participa de eventos literários (como o que citei acima), trabalha como jurado em concursos literários e organiza antologias. Trabalhos que tem tudo a ver com literatura, mas que possivelmente são necessários para complementar a vida de um escritor de ficção nacional, que normalmente vende apenas uma fração daquelas que chegam de fora aos montes e dominam os espaços mais nobres das nossas livrarias.
Para quem que saber um pouco mais sobre a vida deste que me parece um dos nossos melhores escritores contemporâneos, leia esta matéria. Não se trata de fofoca, mas sim de um panorama da vida de um escritor brasileiro de ficção.
Espero que aproveitem.
Abraços.
Thiago Rulius
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Entrevista - Luisa Geisler
Boa parte dos escritores que estão na luta para publicar seu primeiro livro ou disputando os bons concursos literários do país sabem quem é a Luisa Geisler. Ela, bastante jovem, conseguiu a façanha de vencer o prêmio SESC de literatura na categoria conto. Não satisfeita, ganhou no ano seguinte na categoria romance, fazendo com que a organização do prêmio SESC mudasse as regras para o caso de aparecer outro escritor com o mesmo talento e precocidade por aí querendo repetir esta fabulosa conquista.
Tive a oportunidade de conhecer a Luisa pessoalmente no Forum das Letras 2012 em Ouro Preto após a debate Como Publicar o primeiro livro?. Não tivemos a chance de conversar pessoalmente o quanto eu gostaria, pois ela teve de atender aos seus outros leitores e o debate seguinte começou cedo demais. Mas ela, muito solicita, me passou seu contato e agora trago a vocês uma pequena entrevista com esta autora que começou sua carreira da maneira mais destacada: vencendo por duas vezes um concurso do mais alto nível, lançando seus livros por uma editora como a Record e participando da seleção dos 20 melhores jovens escritores brasileiros da revista Granta.
Agradeço a Luisa por dividir um pouco de sua experiência conosco. Aproveitem as dicas e conheçam os livros da autora: Contos de mentira (contos) e Quiçá (romance).
Luisa, antes de mais nada, muito obrigado por conceder esta entrevista ao blog Papolivro.
Imagina! :) Todos os blogs literários são bem-vindos.
1) Sabemos um pouco da sua trajetória a partir da vitória no prêmio SESC com o livro Contos de mentira. Mas como as coisas correram para você antes disso em relação a literatura? Já publicava em jornais, revistas ou blogs? Participava de outros concursos literários?
Então, antes do Contos de mentira, eu escrevia muito pra mim mesma. Participei de alguns concursos de contos, alguns públicos, mas nada chamativo. Cheguei a ter blog, mas nunca fui boa com a manutenção. Comecei a escrever mais a sério e cogitar a carreira de escritora quando comecei uma oficina de criação literária com Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC/RS. Daí foi quando me empolguei de verdade com o processo.
2) Já participei de uma oficina de contos aqui em BH, e parte dos contos que tenho prontos em casa foram produzidos lá. Acho que essa é uma das maiores vantagens de frequentar uma oficina: a gente passa a ter uma espécie de "pressão" para produzir algo e levar a oficina na semana seguinte, além de conseguir uma critica especializada para o texto. Alguma parte dos contos que compõem o "Contos de mentira" foi produzida ou aperfeiçoada em oficinas como a do Assis Brasil, que você frequentou?
Sem dúvida. Diria que 50% dos contos que estão no Contos de mentira passaram pelo crivo do Assis em algum momento. A pressão pra escrever (que se torna ritmo) foi um aprendizado essencial. É comum a gente procrastinar, esquecer, priorizar outras coisas... mas quando tem um prazo, uma meta, a responsabilidade se torna mais forte. É bem comum a figura da pessoa que gosta de escrever, mas não escreve.
3) Como funciona o seu processo criativo? Tem algum método? Se considera uma escritora produtiva?
Pra escrever, sou bastante rápida. Mas a revisão, em geral, demora o dobro do tempo. Costumo brincar que só começo meu texto quando ponho o ponto final. Meu método é algo estilo: ter noção da história — planejar — executar. Às vezes, em alguns contos, sou bem mais livre, escrevo sem planos, sem nada, só escrevo. Com romances, em geral, sou bem cdf e não gosto de escrever do nada.
4) A construção de um romance, na minha opinião, é um trabalho que nunca acaba. Sempre podemos trabalhar mais o texto, ou incluir novas reviravoltas na trama. Você também pensa assim? E se concorda, quando considera que um livro seu está pronto e é hora de parar de trabalhar o texto?
Sempre brinco que eu nunca poderia me suicidar: a carta de suicídio nunca ia ficar pronta. Adoro revisar, adoro repensar possibilidades e achar problemas do texto. Muitas vezes “trabalhar mais o texto” significa tirar excessos, tirar reviravoltas, simplificar as coisas. Nem sempre, mas às vezes. Está pronto na hora em que não tenho mais ninguém pra me dar uma opinião externa sobre o livro, porque todo mundo já leu duas ou três versões. Depois disso, não tem mais o que fazer. Tendo lido o livro duas ou três vezes, já conheço tanto a história que nem vejo mais os problemas. Não é uma avaliação justa. Acho que daí é hora de parar.
5) Em relação aos seus livros publicados, você contratou alguém para um serviço de leitura critica, ou convidou leitores de sua confiança para um feedback? Acha importante esta primeira leitura?
Muitas vezes, as pessoas me enviam romances achando que eu tenho uma opinião que preste, quando na verdade, eu sou uma leitora normal. Acho excelente a contratação de um leitor crítico, porque eles dão atenção para detalhes que os leitores comuns nem sabem. Além de terem uma noção do mercado literário e poderem ajudar nesse sentido. Eles podem, por exemplo, te trazer dicas sobre quais editoras seriam mais apropriadas pro material. Não contratei nenhum serviço de leitura crítica (mais por falta de dinheiro do que de vontade), mas tentei compensar com um bom processo de edição na Record. Ainda acho que meus livros têm muito a melhorar, mesmo depois de impressos. Confio muito nesse tipo de trabalho e acho que ajuda muito na construção de um projeto coeso.
6) Quanto ao relacionamento com a editora, muitos autores mostram insatisfação com os trabalhos de edição realizados ou com a capa do livro, por exemplo. Mas sabemos que a editora, como toda empresa, precisa ter lucros, e por isso tem sempre a intenção de colocar o melhor produto possível no mercado, pelo menos do ponto de vista comercial. Como você vê esta relação?
Acredito que é importante que o autor esteja muito atuante no processo de criação de seu livro como produto, seja capa, seja edição. Mas ao mesmo tempo, um livro é um produto caro (de produzir, de colocar na livraria, de propagandear), num mercado difícil, e a editora não pode ser a única culpada de tudo. Uma editora confiável faz, no mínimo, um bom trabalho de edição, de conversa com o autor sobre o conteúdo e a abordagem do livro. Há outros detalhes que fogem um pouco disso, como capa (questões de designer etc), e com isso o autor precisa ter cuidado.
7) Como foi a experiência de ser um autor nacional estreante em uma editora grande como a Record?
Editoras grandes dificilmente apostam em autores iniciantes. Fiquei encantada. Recebi um tratamento muito bom, em especial por causa do Prêmio SESC de Literatura. Só tenho a agradecer.
8) Você acha que um autor que tenha sido rejeitado em várias editoras comerciais deve tentar a autopublicação? Ou o fato de ter sido rejeitado várias vezes pode indicar que talvez o livro (e talvez também o escritor) não estejam ainda maduros para iniciar uma carreira?
Acho que deve, mas também vale a pena investir um pouco em outras coisas. Muitas vezes, a publicação não é o mais importante. Vale a pena investir tempo em blogs, revistas literárias e, principalmente, prêmios e bolsas que publiquem (ou financiem). A autopublicação é um processo caro, muitas vezes apressado, que nem sempre tem bons resultados. Qualquer estímulo externo compensa mais nesses casos. Contudo, não acho que ser publicado ou não revela maturidade. A publicação não precisa ser o primeiro passo na carreira do escritor.
9) Algumas editoras, como Novo Século e 7Letras, tem um formato híbrido de publicação, onde o autor banca apenas uma parte do custo da publicação, e a editora faz todo o trabalho editorial e comercial, garantindo qualidade e a distribuição do livro. O que você acha deste formato?
Acho um formato que vem crescendo muito recentemente, mas minha opinião se mantém próxima à resposta anterior. Nem sempre publicar um livro é a melhor opção. Não desestimulo, mas acho que é uma decisão que deve ser pensada e planejada. Há muitas oportunidades pra escritores iniciantes por aí, vale mais a pena garimpar.
10) Gostaria de deixar alguma dica para aqueles que estão lutando para publicar o seu primeiro livro e querem começar com o pé direito?
Acho que… dizer que o primeiro livro é o passo mais difícil. Não fica mais fácil a partir dele, mas é o passo mais difícil. É uma droga estar nesse limbo entre “tenho um livro na gaveta” e “sou escritor”. Ou seja, ouvir negativas (ou, pior, nenhuma resposta) é a regra, não a exceção. Meu conselho seria: vá com calma.
11) Já está trabalhando em um novo livro? Pode adiantar algo para os leitores do Papolivro?
Sim, estou, mas... não posso adiantar. Tenho o mau hábito de profetizar sobre livros que não acontecem.
12) Luisa, obrigado por responder a esta entrevista e dividir um pouco de sua experiência conosco.
Imagina :) (de novo). Estamos aí!
Pessoal, não deixem de conhecer o trabalho da Luisa Geisler. É muito importante para quem quer publicar conhecer os livros que estão chamando a atenção no mercado nacional. Seria quase como uma "pesquisa de campo".
Thiago Rulius.
Tive a oportunidade de conhecer a Luisa pessoalmente no Forum das Letras 2012 em Ouro Preto após a debate Como Publicar o primeiro livro?. Não tivemos a chance de conversar pessoalmente o quanto eu gostaria, pois ela teve de atender aos seus outros leitores e o debate seguinte começou cedo demais. Mas ela, muito solicita, me passou seu contato e agora trago a vocês uma pequena entrevista com esta autora que começou sua carreira da maneira mais destacada: vencendo por duas vezes um concurso do mais alto nível, lançando seus livros por uma editora como a Record e participando da seleção dos 20 melhores jovens escritores brasileiros da revista Granta.
Agradeço a Luisa por dividir um pouco de sua experiência conosco. Aproveitem as dicas e conheçam os livros da autora: Contos de mentira (contos) e Quiçá (romance).
Luisa, antes de mais nada, muito obrigado por conceder esta entrevista ao blog Papolivro.
Imagina! :) Todos os blogs literários são bem-vindos.
1) Sabemos um pouco da sua trajetória a partir da vitória no prêmio SESC com o livro Contos de mentira. Mas como as coisas correram para você antes disso em relação a literatura? Já publicava em jornais, revistas ou blogs? Participava de outros concursos literários?
Então, antes do Contos de mentira, eu escrevia muito pra mim mesma. Participei de alguns concursos de contos, alguns públicos, mas nada chamativo. Cheguei a ter blog, mas nunca fui boa com a manutenção. Comecei a escrever mais a sério e cogitar a carreira de escritora quando comecei uma oficina de criação literária com Luiz Antonio de Assis Brasil, na PUC/RS. Daí foi quando me empolguei de verdade com o processo.
2) Já participei de uma oficina de contos aqui em BH, e parte dos contos que tenho prontos em casa foram produzidos lá. Acho que essa é uma das maiores vantagens de frequentar uma oficina: a gente passa a ter uma espécie de "pressão" para produzir algo e levar a oficina na semana seguinte, além de conseguir uma critica especializada para o texto. Alguma parte dos contos que compõem o "Contos de mentira" foi produzida ou aperfeiçoada em oficinas como a do Assis Brasil, que você frequentou?
Sem dúvida. Diria que 50% dos contos que estão no Contos de mentira passaram pelo crivo do Assis em algum momento. A pressão pra escrever (que se torna ritmo) foi um aprendizado essencial. É comum a gente procrastinar, esquecer, priorizar outras coisas... mas quando tem um prazo, uma meta, a responsabilidade se torna mais forte. É bem comum a figura da pessoa que gosta de escrever, mas não escreve.
3) Como funciona o seu processo criativo? Tem algum método? Se considera uma escritora produtiva?
Pra escrever, sou bastante rápida. Mas a revisão, em geral, demora o dobro do tempo. Costumo brincar que só começo meu texto quando ponho o ponto final. Meu método é algo estilo: ter noção da história — planejar — executar. Às vezes, em alguns contos, sou bem mais livre, escrevo sem planos, sem nada, só escrevo. Com romances, em geral, sou bem cdf e não gosto de escrever do nada.
4) A construção de um romance, na minha opinião, é um trabalho que nunca acaba. Sempre podemos trabalhar mais o texto, ou incluir novas reviravoltas na trama. Você também pensa assim? E se concorda, quando considera que um livro seu está pronto e é hora de parar de trabalhar o texto?
Sempre brinco que eu nunca poderia me suicidar: a carta de suicídio nunca ia ficar pronta. Adoro revisar, adoro repensar possibilidades e achar problemas do texto. Muitas vezes “trabalhar mais o texto” significa tirar excessos, tirar reviravoltas, simplificar as coisas. Nem sempre, mas às vezes. Está pronto na hora em que não tenho mais ninguém pra me dar uma opinião externa sobre o livro, porque todo mundo já leu duas ou três versões. Depois disso, não tem mais o que fazer. Tendo lido o livro duas ou três vezes, já conheço tanto a história que nem vejo mais os problemas. Não é uma avaliação justa. Acho que daí é hora de parar.
5) Em relação aos seus livros publicados, você contratou alguém para um serviço de leitura critica, ou convidou leitores de sua confiança para um feedback? Acha importante esta primeira leitura?
Muitas vezes, as pessoas me enviam romances achando que eu tenho uma opinião que preste, quando na verdade, eu sou uma leitora normal. Acho excelente a contratação de um leitor crítico, porque eles dão atenção para detalhes que os leitores comuns nem sabem. Além de terem uma noção do mercado literário e poderem ajudar nesse sentido. Eles podem, por exemplo, te trazer dicas sobre quais editoras seriam mais apropriadas pro material. Não contratei nenhum serviço de leitura crítica (mais por falta de dinheiro do que de vontade), mas tentei compensar com um bom processo de edição na Record. Ainda acho que meus livros têm muito a melhorar, mesmo depois de impressos. Confio muito nesse tipo de trabalho e acho que ajuda muito na construção de um projeto coeso.
6) Quanto ao relacionamento com a editora, muitos autores mostram insatisfação com os trabalhos de edição realizados ou com a capa do livro, por exemplo. Mas sabemos que a editora, como toda empresa, precisa ter lucros, e por isso tem sempre a intenção de colocar o melhor produto possível no mercado, pelo menos do ponto de vista comercial. Como você vê esta relação?
Acredito que é importante que o autor esteja muito atuante no processo de criação de seu livro como produto, seja capa, seja edição. Mas ao mesmo tempo, um livro é um produto caro (de produzir, de colocar na livraria, de propagandear), num mercado difícil, e a editora não pode ser a única culpada de tudo. Uma editora confiável faz, no mínimo, um bom trabalho de edição, de conversa com o autor sobre o conteúdo e a abordagem do livro. Há outros detalhes que fogem um pouco disso, como capa (questões de designer etc), e com isso o autor precisa ter cuidado.
7) Como foi a experiência de ser um autor nacional estreante em uma editora grande como a Record?
Editoras grandes dificilmente apostam em autores iniciantes. Fiquei encantada. Recebi um tratamento muito bom, em especial por causa do Prêmio SESC de Literatura. Só tenho a agradecer.
8) Você acha que um autor que tenha sido rejeitado em várias editoras comerciais deve tentar a autopublicação? Ou o fato de ter sido rejeitado várias vezes pode indicar que talvez o livro (e talvez também o escritor) não estejam ainda maduros para iniciar uma carreira?
Acho que deve, mas também vale a pena investir um pouco em outras coisas. Muitas vezes, a publicação não é o mais importante. Vale a pena investir tempo em blogs, revistas literárias e, principalmente, prêmios e bolsas que publiquem (ou financiem). A autopublicação é um processo caro, muitas vezes apressado, que nem sempre tem bons resultados. Qualquer estímulo externo compensa mais nesses casos. Contudo, não acho que ser publicado ou não revela maturidade. A publicação não precisa ser o primeiro passo na carreira do escritor.
9) Algumas editoras, como Novo Século e 7Letras, tem um formato híbrido de publicação, onde o autor banca apenas uma parte do custo da publicação, e a editora faz todo o trabalho editorial e comercial, garantindo qualidade e a distribuição do livro. O que você acha deste formato?
Acho um formato que vem crescendo muito recentemente, mas minha opinião se mantém próxima à resposta anterior. Nem sempre publicar um livro é a melhor opção. Não desestimulo, mas acho que é uma decisão que deve ser pensada e planejada. Há muitas oportunidades pra escritores iniciantes por aí, vale mais a pena garimpar.
10) Gostaria de deixar alguma dica para aqueles que estão lutando para publicar o seu primeiro livro e querem começar com o pé direito?
Acho que… dizer que o primeiro livro é o passo mais difícil. Não fica mais fácil a partir dele, mas é o passo mais difícil. É uma droga estar nesse limbo entre “tenho um livro na gaveta” e “sou escritor”. Ou seja, ouvir negativas (ou, pior, nenhuma resposta) é a regra, não a exceção. Meu conselho seria: vá com calma.
11) Já está trabalhando em um novo livro? Pode adiantar algo para os leitores do Papolivro?
Sim, estou, mas... não posso adiantar. Tenho o mau hábito de profetizar sobre livros que não acontecem.
12) Luisa, obrigado por responder a esta entrevista e dividir um pouco de sua experiência conosco.
Imagina :) (de novo). Estamos aí!
Pessoal, não deixem de conhecer o trabalho da Luisa Geisler. É muito importante para quem quer publicar conhecer os livros que estão chamando a atenção no mercado nacional. Seria quase como uma "pesquisa de campo".
Thiago Rulius.
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