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domingo, 13 de janeiro de 2013

Palavra por palavra – Anne Lamott

    Durante o tempo que freqüentei, com alguma assiduidade, algumas comunidades de escritores do finado Orkut, encontrei gente de todos os níveis possíveis em relação a escrita: autores publicados por editoras comerciais de todo porte ou autopublicados, vencedores de concursos literários publicados ou não e amadores de diversos níveis.
    Infelizmente (ou talvez felizmente, não sei) eram muito comuns aqueles que acabaram de ler um livro que lhes arrebatou completamente, levando-os a decisão relâmpago de se enfronhar nesta fascinante carreira e se tornarem, quem sabe, o novo Paulo Coelho ou a nova J. K. Rowling. Nada contra sonhar e buscar este sucesso, afinal acreditar em seu potencial é o primeiro passo a ser dado. O problema é que grande parte destes candidatos a se tornarem o mais novo escritor best-seller sequer tem prática de leitura. Eles simplesmente descobriram a literatura tardiamente e já querem saltar para o “topo da pirâmide”.
    Grande parte desta turma vai tentar escrever um texto plagiado do seu autor preferido e em uma semana, ao ler o próprio texto, vai se desanimar e perceber que escrever um romance de sucesso não é tão simples assim.
    Para aqueles que decidiram perseverar, e continuam acreditando, mas não tem preparo algum para enfrentar este longo caminho, recomendo o livro Palavra por palavra, de Anne Lamott. Neste livro, Anne atua como professora, psicóloga e consultora, mostrando ao leitor e candidato a escritor como se manter motivado e confiante durante a produção de sua obra, como combater a autocrítica, resolver problemas do processo de escrita (como por exemplo ficar travado – o conhecido “bloqueio criativo”), além de dar dicas relacionadas a publicação e melhoria do texto. Ao mesmo tempo que incentiva o escritor (amador ou não), o livro mostra também a realidade da profissão.
    O livro vai também lhe permitir, de acordo com sua experiência, reconhecer dificuldades já vividas, situações estas exemplificadas pela autora, que também apresenta soluções para resolver estes problemas.
    Considero-o um ótimo livro, um dos que devem compor a “ala técnica” da biblioteca de quem quer seguir a carreira de escritor. Apesar disso, talvez seja um bom livro para riscar e fazer anotações. Tenho dó de fazer isso, mas este Palavra por palavra pede esta heresia, para poder funcionar melhor como um autêntico livro de cabeceira, pois ele entrega as dicas de maneira cadenciada. Não faz o tipo guia de referência rápida.
    Ainda assim, recomendo a todos.

Abraços,
Thiago Rulius.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Confissões de um Peregrino – Juan Arias (entrevistando Paulo Coelho).

Outro dia, vasculhando as biografias de escritores brasileiros na biblioteca publica Luiz de Bessa, aqui em BH, vi um livro de entrevistas com o Paulo Coelho. Nada de mais, pensei. Afinal, não me considero fã do mago. O único livro dele que li foi o diário de um mago, isso há uns quinze anos atrás. Até gostei do livro, mas não a ponto de colocá-lo entre os meus favoritos.

Apesar disso, peguei o livro e decidi dar uma folheada. Não devido a qualidade do autor, ou a sua excentricidade, mas sim por outro motivo, que certamente desperta curiosidade em outros escritores: seu estrondoso sucesso comercial.

O livro todo é uma grande entrevista, sendo cada capítulo relacionado a um assunto: religião, política, leitores, escrita. Escrita. Por este capitulo, me decidi. Peguei o livro emprestado para aprender um pouco sobre o autor brasileiro mais traduzido de todos os tempos.

O que achei do livro? Passei a conhecer o ponto de vista do autor em vários assuntos abordados no livro, alguns sem a menor importância ou do tipo fofoca. O ultimo capitulo do livro, uma conversa entre Paulo Coelho, Juan Arias (o entrevistador) e algumas adolescentes não tem nada a ver com coisa nenhuma e não acrescenta nada, e o capitulo de escrita, que pensei tão promissor, teve apenas algumas boas perguntas.

Apesar disso, gostei de algumas respostas do autor, realmente construtivas, mesmo no capitulo chamado de "os sinais", com temas voltados a religião e a espiritualidade, assuntos que não costumo discutir ou dar muita bola. Mas uma resposta do mago disse muito do que penso e que vejo acontecer por aí. Está transcrita abaixo:

Pergunta: O que seria então para você um ateu?
Resposta: Para mim, o fato formal de crer ou não em Deus não muda nada. Conheço ateus que se comportam em sua vida mil vezes melhor que muitos que se dizem crentes. Porque às vezes o crente tem a tentação de se converter em juiz de seu próximo pelo fato de que acredita em Deus. Para mim, um ateu é o que manifesta Deus só através de suas obras. Como dizia Santiago, o apóstolo, o que nos permite reconhecer-nos como filhos de Deus são as obras, não nossa profissão de fé. "Mostra-me suas obras e eu te mostrarei tua fé", dizia.



Fonte: livro Confissões de um peregrino – Juan Arias (entrevistando Paulo Coelho).
Editora Objetiva


Então, voltando ao livro... É uma leitura que recomendo? Sim, se você não tem um bom livro em mente. Não é coisa do outro mundo, mas tem boas informações, apesar do papo seguir muito para o lado espiritual, que não agrada a qualquer um. Recomendaria especialmente para quem é fã do autor. Para os demais, podem existir outras opções mais promissoras.

Boa leitura!

Abraços.
Thiago Rulius

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cartas a um jovem escritor - Mario Vargas Llosa

Existem vários livros de cartas por aí, geralmente com a correspondência entre alguém já consolidado em sua área de atuação e outro ainda inexperiente, ou pouco experiente. Estes livros cobrem diversos assuntos como culinária, religião, empreendedorismo, profissões variadas e é claro, literatura.

No caso da literatura, conheço dois títulos (de mesmo nome): Cartas a um Jovem escritor, da correspondência entre Mario de Andrade e o então jovem Fernando Sabino, e Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa. Tive a oportunidade de ler ambos e considero o ultimo muito superior ao primeiro, então vou me concentrar neste.

Em Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa começa com um panorama geral do processo de escrita e um pouco da vida de um escritor. Vocação, fontes de idéias, trabalho solitário, leitura, autenticidade, etc. Este é a parte mais curta do livro, porém tem conteúdo para muita reflexão, e talvez seja a parte do livro que mais me agradou.

Depois, ele entra com capítulos sobre peculiaridades do trabalho de escrita e prática literária: Persuasão, estilo, narração e tempo. A partir daqui, o livro se torna mais objetivo, e Llosa avalia aspectos do romance, e passa a utilizar vários exemplos de livros de escritores como Melville, Flaubert, Hemingway, Faulkner, entre vários outros. Vários romances destes autores são citados com detalhes, e sua lista de títulos aguardando leitura vai aumentar, pois sem duvida você vai querer conhecer as técnicas citadas com maior detalhe, “in loco”.

Por último, são apresentadas técnicas de narração, que costumam variar em nomes, mas que aparecem no livro como Caixa chinesa, Dado Escondido e Vasos comunicantes. Você talvez reconhecerá estas técnicas em livros lidos no passado, onde durante a leitura talvez não tenha se apercebido da intencionalidade de uso de tais técnicas. Nestes últimos capítulos permanecem os detalhes e exemplos utilizando grandes romances da literatura mundial.

Quanto aos livros que cita, Llosa faz comentários sobre o autor, e diz sem nenhuma enrolação se aquele lhe agrada ou não, o que é legal, pois muitas vezes as criticas negativas são evitadas, o que não acontece neste livro.

Recomendo. Abaixo alguns curtos trechos do livro e a ficha para quem quiser comprar o seu.

Trecho do primeiro capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa
“Talvez o atributo principal da vocação literária seja o fato de que quem a possui vivencia o exercício dessa vocação como a sua melhor recompensa, muito, muito superior a qualquer coisa que pudesse obter como conseqüência de seus frutos. Esta é uma certeza que tenho entre as minhas muitas duvidas quanto a vocação literária: o escritor sente intimamente que escrever é a melhor coisa que jamais lhe aconteceu, e pode acontecer, pois escrever significa para ele a melhor maneira possível de viver, independente dos resultados sociais, políticos ou financeiros que possa alcançar com o que escreve.”

Trecho do segundo capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre os temas de ficção.
“Atrevo-me a ir um pouco além na discussão dos temas de ficção. O escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles. Escreve sobre certos assuntos porque certas coisas se passaram com ele. Na escolha de um tema, a liberdade do autor é relativa, talvez inexistente. De toda maneira, incomparavelmente menor do que a que tange à forma literária, onde, me parece, a liberdade – a responsabilidade – do escritor é total. A minha impressão é de que a vida – palavra de peso, estou ciente – lhe impõe os temas através de certas experiências que ficam registradas em seu consciente ou subconsciente e que depois o compelem a livrar-se delas transformando-as em histórias. Nem é preciso buscar exemplos de como os temas da vida se impõem aos escritores através da experiência, porque todos os testemunhos costumam coincidir neste ponto: essa história, esse personagem, essa situação, esse mistério me perseguiu, me obcecou, me importunou como uma exigência vinda do íntimo da minha natureza, e tive que escrevê-la para me ver livre dela...”

Trecho do quarto capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre o estilo.
“A verdade é que essas palavras são as histórias que contam. Conseqüentemente, quando um escritor toma de empréstimo um estilo, a literatura produzida soa falsa, uma mera caricatura. Depois de Borges, García Márquez é o escritor mais imitado da língua espanhola, e embora alguns de seus discípulos tenham se saído bem – isto é, tenham atraído muitos leitores -, a obra, independente do cuidado do discípulo, não adquire vida própria e sua natureza secundária e artificial fica logo evidente. A literatura é puro artifício, mas a boa literatura é capaz de ocultar tal fato, enquanto a medíocre o delata.
 

Embora me pareça já lhe ter dito, com o acima, tudo que sei sobre estilo, como sua carta pede conselhos práticos, dou a você este: já que não é possível sem um romancista sem ter um estilo coerente e necessário, e visto que você deseja sê-lo, busque e encontre o seu estilo. Leia muitíssimo, porque é impossível  ter uma linguagem rica e desenvolta sem ler um bocado de boa literatura, e tente, com todas as suas forças, pois não é tão fácil assim, evitar imitar os estilos dos escritores que admira e que lhe ensinaram a amar a literatura. Imite-os em tudo o mais: na devoção, na dedicação, na disciplina, nos hábitos, e adote, se julgá-las válidas, as suas convicções. Tente, porém, fugir da reprodução mecânica dos padrões e ritmos da escrita de terceiros, pois se você não for capaz de desenvolver um estilo pessoal, aquele que mais convém ao que você pretende contar, suas histórias dificilmente conseguirão se embeber do poder de persuasão que as fará viver.”


Cartas a um Jovem Escritor (tradução de Cartas a um joven novelista)
Mario Vargas Llosa
ISBN: 10 - 85-352-2110-7
Ano: 2006 (Brasil). Original de 1997

domingo, 17 de julho de 2011

Angústia - Stephen King


Terminei de ler o livro "Angústia" do Stephen King este fim de semana, e queria recomendá-lo a vocês. Para quem nunca leu este autor, o cara é considerado por muitos como o rei do suspense, e nisso ele é realmente muito bom.

Vários de seus livros já viraram filmes, e o "Angústia" não é excessão: O filme saiu em 1990 (fonte:http://www.interfilmes.com/filme_13788_louca.obsessao.html) com o nome "Louca Obsessão". É um suspense muito bom, e não se preocupem, não é filme de botar medo em ninguém. A atriz Kathy Bates ganhou com este filme o oscar de melhor atriz.



Mas estou recomendando este livro por um motivo especial: O fato do personagem principal, Paul Sheldon, ser um escritor. No livro tem várias passagens onde ele comenta (ou pensa) sobre seus métodos de escrita, produtividade, manias, e muitas outras curiosidades relacionadas a sua profissão, que tornam o livro ainda mais interessantes para aqueles que, como eu, são escritores amadores (ou candidatos), publicados ou não.

Fica a dica deste livro que, infelizmente, está esgotado. Mas pode ser achado em boas bibliotecas e sebos. Existem alguns a venda na estante virtual (http://www.estantevirtual.com.br/).

A versão original do livro (e filme) em inglês tem o nome Misery.

Abraços e boa leitura.
Thiago Rulius