Depois de dois ou três anos esperando uma oportunidade, finalmente pude conhecer o Fórum das Letras de Ouro Preto, que encerrou ontem sua sétima edição, com o tema “Memória do esquecimento”.
O evento teve a duração de cinco dias, mas somente cheguei a Ouro Preto no segundo dia, logo assistindo ao debate “Escrever História para se livrar da memória”. Apesar do escritor Arnaldo Bloch ter se mostrado um tanto sem rumo, sempre retornando a histórias de família e do grupo Manchete, sem acrescentar muito conteúdo a discussão, os escritores Miguel Sanches Neto e Ronaldo Correia de Brito impuseram um alto nível, com a boa mediação de Suzana Vargas. Um belo cartão de visitas!
A continuação da programação de sábado trouxe um debate com o jornalista Marcelo Tas, do programa CQC, com a também muito boa mediação de João Alegria, lotando (e ultrapassando) a capacidade do belo e aconchegante cine Vila Rica. Apesar da falta de vínculo com o tema do Fórum das Letras, foi um bate-papo de ótimo nível, e que valeu o tema diferente, sem duvida. Se alguém foi até lá querendo ouvir piadinha, se frustrou.
Os intervalos entre debates tornavam-se curtos para as atividades que podiam ser feitas. Nno andar superior do cine Vila Rica (hall de entrada) os profissionais da livraria ligada ao evento atualizavam seu pequeno estande com as obras dos autores que haviam participado do ultimo debate, permitindo o manuseio, análise e compra destas obras (disponíveis para a maioria dos escritores, mas não todos). Podia-se ainda bater papo ou conseguir uma dedicatória de seu escritor preferido. Em paralelo, algumas atividades de dança, teatro e musica ocorriam na rua, em frente ao cine. Para quem não se interessava por nada disso, uma cafeteria também funcionava no hall do cinema.
O domingo trouxe talvez o debate mais atrativo para os interessados em história, com o nome “As Minas Gerais: 300 anos de aventura, literatura, cobiça e fé”, com a participação dos autores Frei Betto, Ivan Marques e Lucas Fugueiredo. Ivan concentrou-se nos escritores mineiros de várias gerações, enquanto Lucas e Frei Betto deram uma aula de história, contando curiosidades do tempo da exploração do ouro. Ao fim do ótimo debate, tive de me conter para não gastar demais, e me contentei com um livro do Lucas, que me concedeu uma dedicatória, muito solicito.
Retornei ao cine Vila Rica próximo as 20:00 para o debate “Imaginação e memória”, com Marina Colasanti, Mario Araujo e o francês Henri Loevenbruck. Não vinha entendendo o que dizia o francês, pois não havia tradução simultânea, e só no meio do debate descobri que havia um sistema portátil de som com fones disponível (o que não avisaram no início, em minha opinião uma pequena falha da organização). Acabei não assistindo a todo o debate por ter ficado de papo alguns minutos com o escritor Miguel Sanches Neto, que foi muito atencioso e fez uma dedicatória em seu livro que eu havia comprado no dia anterior. Aproveitei para falar sobre as poucas oficinas regulares que temos em BH (até onde sei a única é a do Letras e Ponto), e ele me contou que já ministrou oficinas na PUC da Praça da Liberdade com o Luiz Vilela. Como seria bom poder fazer uma oficina com um destes caras (Aproveitando, leiam o “Contos Eróticos” do Luiz Vilela). Conversamos ainda sobre o Suplemento Literário, e o Miguel se mostrou por dentro do
movimento em BH.
A segunda-feira era ainda o penúltimo dia de festival, porém era meu ultimo dia de participação. As 11:00 conheci o espaço Petrobrás (auditório bem menor que o Cine Vila Rica), onde assisti ao debate “A biblioteca é um mundo, o mundo é uma biblioteca”, e fiquei entusiasmado com o caso de sucesso de Luiz Amorim com seu açougue cultural (ele é açougueiro), além do projeto de distribuir livros nos pontos de ônibus de Brasilia. O escritor Carlos Liscano (presidente da biblioteca nacional do Uruguai) também teve uma participação de destaque, o que me fez lamentar não encontrar seu livro ao fim do debate “Memória, história e narrativa” realizado as 15:00 novamente no Cine Vila Rica, onde Carlos contou alguns detalhes sobre a produção de um de seus livros, escrito durante os treze anos em que ele esteve preso pela ditadura uruguaia. Ainda em relação ao debate das 15:00, ele foi seguramente o pior dos que participei no festival, com a escritora Maria José Silveira lendo um texto enorme e bastante enfadonho em resposta a primeira pergunta da mediadora Guiomar de Grammont, que em minha opinião conduziu este debate de maneira um tanto insatisfatória, com uma apresentação improvisada dos autores e perguntas pouco objetivas, o que fazia com que eles falassem de assuntos aleatórios.
Retornei a Belo Horizonte na tarde de segunda-feira, lamentando ter perdido os debates “Memória, filosofia e ficção”, realizado ainda na segunda, e “Como publicar e divulgar o primeiro livro”, debate que fecharia o evento na terça-feira (se considerarmos apenas os debates) e que, acredito, atrairia muito publico se houvesse sido colocado em um momento mais adequado do calendário do Fórum, pois a maioria do publico é jovem e muitos (como eu) devem sonhar em publicar seu livro.
Agora, vamos aguardar a bienal do livro de Minas Gerais e o Fórum das Letras de 2012.
Abraços
Thiago Rulius
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Forum das Letras 2011
Já estão abertas as inscrições para o Forum das Letras 2011, em Ouro Preto/MG.
Mais de sessenta autores também já estão confirmados, entre eles Arthur Dapieve, Henri Loevenbruck, Marcelo Tas, Marina Colasanti e Rubem Alves, para citar os mais famosos.
Acesse o site oficial do evento e faça sua inscrição: http://www.forumdasletras.ufop.br/
Para hospedagem, acesse o site oficial de turismo de Ouro Preto: http://www.ouropreto.org.br/
Eu estarei por lá, e caso consiga acesso a internet farei a cobertura de parte do evento aqui no blog. Se não for possível, contem pelo menos com uma resenha e algumas fotos quando eu voltar.
Abraços
Thiago Rulius
Mais de sessenta autores também já estão confirmados, entre eles Arthur Dapieve, Henri Loevenbruck, Marcelo Tas, Marina Colasanti e Rubem Alves, para citar os mais famosos.
Acesse o site oficial do evento e faça sua inscrição: http://www.forumdasletras.ufop.br/
Para hospedagem, acesse o site oficial de turismo de Ouro Preto: http://www.ouropreto.org.br/
Eu estarei por lá, e caso consiga acesso a internet farei a cobertura de parte do evento aqui no blog. Se não for possível, contem pelo menos com uma resenha e algumas fotos quando eu voltar.
Abraços
Thiago Rulius
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Métodos para desenvolvimento de texto
Olá.
Não é novidade que muitos escritores se enrolam enquanto desenvolvem seus romances. Acho que a maioria passa por estas dificuldades, tanto por falta de informação quanto de organização.
Vejam meu caso: Após uma fase muito produtiva, meu texto ficou meio "agarrado" nas ultimas semanas. Apesar de ter me estruturado antes de começar a escrever, criando uma espécie de resumo por tópicos e ter melhorado este resumo com modificações (especialmente de trama) por algumas vezes, eu falhei em alguns pontos após esta etapa.
Pude perceber devido ao hábito de fazer cópias do arquivo texto do romance antes de fazer modificações de maior calibre. Além da óbvia vantagem de não perder o conteúdo produzido anteriormente, por manter as versões anteriores do texto, esta técnica te permite também ver o quanto você está desperdiçando trabalho reescrevendo trechos ou capítulos inteiros de seu romance.
Então, para ajudar aos escritores que tem visitado o blog a serem mais produtivos e errarem menos na produção de seus textos, coloco abaixo dois links do blog Letras Elétricas com dicas relacionadas a produção destes textos. O autor, José Geraldo, chamou estes métodos de Método Cebola e Método Quebra-Cabeças.
Uma boa dica de um destes textos que não segui (por desconhecer a época) e que poderia ter evitado a minha paralisia dos últimos dias: Escrever as primeiras páginas do romance após a conclusão dos resumos para amadurecer a trama e os personagens, e então retornar mais uma vez ao resumo e fazer novos ajustes e melhorias ali, e não no texto já escrito, reduzindo o retrabalho.
Conhece outros métodos? Deixe um comentário.
Abraços
Thiago Rulius
Não é novidade que muitos escritores se enrolam enquanto desenvolvem seus romances. Acho que a maioria passa por estas dificuldades, tanto por falta de informação quanto de organização.
Vejam meu caso: Após uma fase muito produtiva, meu texto ficou meio "agarrado" nas ultimas semanas. Apesar de ter me estruturado antes de começar a escrever, criando uma espécie de resumo por tópicos e ter melhorado este resumo com modificações (especialmente de trama) por algumas vezes, eu falhei em alguns pontos após esta etapa.
Pude perceber devido ao hábito de fazer cópias do arquivo texto do romance antes de fazer modificações de maior calibre. Além da óbvia vantagem de não perder o conteúdo produzido anteriormente, por manter as versões anteriores do texto, esta técnica te permite também ver o quanto você está desperdiçando trabalho reescrevendo trechos ou capítulos inteiros de seu romance.
Então, para ajudar aos escritores que tem visitado o blog a serem mais produtivos e errarem menos na produção de seus textos, coloco abaixo dois links do blog Letras Elétricas com dicas relacionadas a produção destes textos. O autor, José Geraldo, chamou estes métodos de Método Cebola e Método Quebra-Cabeças.
Uma boa dica de um destes textos que não segui (por desconhecer a época) e que poderia ter evitado a minha paralisia dos últimos dias: Escrever as primeiras páginas do romance após a conclusão dos resumos para amadurecer a trama e os personagens, e então retornar mais uma vez ao resumo e fazer novos ajustes e melhorias ali, e não no texto já escrito, reduzindo o retrabalho.
Conhece outros métodos? Deixe um comentário.
Abraços
Thiago Rulius
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Cartas a um jovem escritor - Mario Vargas Llosa
Existem vários livros de cartas por aí, geralmente com a correspondência entre alguém já consolidado em sua área de atuação e outro ainda inexperiente, ou pouco experiente. Estes livros cobrem diversos assuntos como culinária, religião, empreendedorismo, profissões variadas e é claro, literatura.
No caso da literatura, conheço dois títulos (de mesmo nome): Cartas a um Jovem escritor, da correspondência entre Mario de Andrade e o então jovem Fernando Sabino, e Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa. Tive a oportunidade de ler ambos e considero o ultimo muito superior ao primeiro, então vou me concentrar neste.
Em Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa começa com um panorama geral do processo de escrita e um pouco da vida de um escritor. Vocação, fontes de idéias, trabalho solitário, leitura, autenticidade, etc. Este é a parte mais curta do livro, porém tem conteúdo para muita reflexão, e talvez seja a parte do livro que mais me agradou.
Depois, ele entra com capítulos sobre peculiaridades do trabalho de escrita e prática literária: Persuasão, estilo, narração e tempo. A partir daqui, o livro se torna mais objetivo, e Llosa avalia aspectos do romance, e passa a utilizar vários exemplos de livros de escritores como Melville, Flaubert, Hemingway, Faulkner, entre vários outros. Vários romances destes autores são citados com detalhes, e sua lista de títulos aguardando leitura vai aumentar, pois sem duvida você vai querer conhecer as técnicas citadas com maior detalhe, “in loco”.
Por último, são apresentadas técnicas de narração, que costumam variar em nomes, mas que aparecem no livro como Caixa chinesa, Dado Escondido e Vasos comunicantes. Você talvez reconhecerá estas técnicas em livros lidos no passado, onde durante a leitura talvez não tenha se apercebido da intencionalidade de uso de tais técnicas. Nestes últimos capítulos permanecem os detalhes e exemplos utilizando grandes romances da literatura mundial.
Quanto aos livros que cita, Llosa faz comentários sobre o autor, e diz sem nenhuma enrolação se aquele lhe agrada ou não, o que é legal, pois muitas vezes as criticas negativas são evitadas, o que não acontece neste livro.
Recomendo. Abaixo alguns curtos trechos do livro e a ficha para quem quiser comprar o seu.
Trecho do primeiro capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa
“Talvez o atributo principal da vocação literária seja o fato de que quem a possui vivencia o exercício dessa vocação como a sua melhor recompensa, muito, muito superior a qualquer coisa que pudesse obter como conseqüência de seus frutos. Esta é uma certeza que tenho entre as minhas muitas duvidas quanto a vocação literária: o escritor sente intimamente que escrever é a melhor coisa que jamais lhe aconteceu, e pode acontecer, pois escrever significa para ele a melhor maneira possível de viver, independente dos resultados sociais, políticos ou financeiros que possa alcançar com o que escreve.”
Trecho do segundo capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre os temas de ficção.
“Atrevo-me a ir um pouco além na discussão dos temas de ficção. O escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles. Escreve sobre certos assuntos porque certas coisas se passaram com ele. Na escolha de um tema, a liberdade do autor é relativa, talvez inexistente. De toda maneira, incomparavelmente menor do que a que tange à forma literária, onde, me parece, a liberdade – a responsabilidade – do escritor é total. A minha impressão é de que a vida – palavra de peso, estou ciente – lhe impõe os temas através de certas experiências que ficam registradas em seu consciente ou subconsciente e que depois o compelem a livrar-se delas transformando-as em histórias. Nem é preciso buscar exemplos de como os temas da vida se impõem aos escritores através da experiência, porque todos os testemunhos costumam coincidir neste ponto: essa história, esse personagem, essa situação, esse mistério me perseguiu, me obcecou, me importunou como uma exigência vinda do íntimo da minha natureza, e tive que escrevê-la para me ver livre dela...”
Trecho do quarto capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre o estilo.
“A verdade é que essas palavras são as histórias que contam. Conseqüentemente, quando um escritor toma de empréstimo um estilo, a literatura produzida soa falsa, uma mera caricatura. Depois de Borges, García Márquez é o escritor mais imitado da língua espanhola, e embora alguns de seus discípulos tenham se saído bem – isto é, tenham atraído muitos leitores -, a obra, independente do cuidado do discípulo, não adquire vida própria e sua natureza secundária e artificial fica logo evidente. A literatura é puro artifício, mas a boa literatura é capaz de ocultar tal fato, enquanto a medíocre o delata.
Embora me pareça já lhe ter dito, com o acima, tudo que sei sobre estilo, como sua carta pede conselhos práticos, dou a você este: já que não é possível sem um romancista sem ter um estilo coerente e necessário, e visto que você deseja sê-lo, busque e encontre o seu estilo. Leia muitíssimo, porque é impossível ter uma linguagem rica e desenvolta sem ler um bocado de boa literatura, e tente, com todas as suas forças, pois não é tão fácil assim, evitar imitar os estilos dos escritores que admira e que lhe ensinaram a amar a literatura. Imite-os em tudo o mais: na devoção, na dedicação, na disciplina, nos hábitos, e adote, se julgá-las válidas, as suas convicções. Tente, porém, fugir da reprodução mecânica dos padrões e ritmos da escrita de terceiros, pois se você não for capaz de desenvolver um estilo pessoal, aquele que mais convém ao que você pretende contar, suas histórias dificilmente conseguirão se embeber do poder de persuasão que as fará viver.”
Cartas a um Jovem Escritor (tradução de Cartas a um joven novelista)
Mario Vargas Llosa
ISBN: 10 - 85-352-2110-7
Ano: 2006 (Brasil). Original de 1997
No caso da literatura, conheço dois títulos (de mesmo nome): Cartas a um Jovem escritor, da correspondência entre Mario de Andrade e o então jovem Fernando Sabino, e Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa. Tive a oportunidade de ler ambos e considero o ultimo muito superior ao primeiro, então vou me concentrar neste.
Em Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa começa com um panorama geral do processo de escrita e um pouco da vida de um escritor. Vocação, fontes de idéias, trabalho solitário, leitura, autenticidade, etc. Este é a parte mais curta do livro, porém tem conteúdo para muita reflexão, e talvez seja a parte do livro que mais me agradou.
Depois, ele entra com capítulos sobre peculiaridades do trabalho de escrita e prática literária: Persuasão, estilo, narração e tempo. A partir daqui, o livro se torna mais objetivo, e Llosa avalia aspectos do romance, e passa a utilizar vários exemplos de livros de escritores como Melville, Flaubert, Hemingway, Faulkner, entre vários outros. Vários romances destes autores são citados com detalhes, e sua lista de títulos aguardando leitura vai aumentar, pois sem duvida você vai querer conhecer as técnicas citadas com maior detalhe, “in loco”.
Por último, são apresentadas técnicas de narração, que costumam variar em nomes, mas que aparecem no livro como Caixa chinesa, Dado Escondido e Vasos comunicantes. Você talvez reconhecerá estas técnicas em livros lidos no passado, onde durante a leitura talvez não tenha se apercebido da intencionalidade de uso de tais técnicas. Nestes últimos capítulos permanecem os detalhes e exemplos utilizando grandes romances da literatura mundial.
Quanto aos livros que cita, Llosa faz comentários sobre o autor, e diz sem nenhuma enrolação se aquele lhe agrada ou não, o que é legal, pois muitas vezes as criticas negativas são evitadas, o que não acontece neste livro.
Recomendo. Abaixo alguns curtos trechos do livro e a ficha para quem quiser comprar o seu.
Trecho do primeiro capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa
“Talvez o atributo principal da vocação literária seja o fato de que quem a possui vivencia o exercício dessa vocação como a sua melhor recompensa, muito, muito superior a qualquer coisa que pudesse obter como conseqüência de seus frutos. Esta é uma certeza que tenho entre as minhas muitas duvidas quanto a vocação literária: o escritor sente intimamente que escrever é a melhor coisa que jamais lhe aconteceu, e pode acontecer, pois escrever significa para ele a melhor maneira possível de viver, independente dos resultados sociais, políticos ou financeiros que possa alcançar com o que escreve.”
Trecho do segundo capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre os temas de ficção.
“Atrevo-me a ir um pouco além na discussão dos temas de ficção. O escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles. Escreve sobre certos assuntos porque certas coisas se passaram com ele. Na escolha de um tema, a liberdade do autor é relativa, talvez inexistente. De toda maneira, incomparavelmente menor do que a que tange à forma literária, onde, me parece, a liberdade – a responsabilidade – do escritor é total. A minha impressão é de que a vida – palavra de peso, estou ciente – lhe impõe os temas através de certas experiências que ficam registradas em seu consciente ou subconsciente e que depois o compelem a livrar-se delas transformando-as em histórias. Nem é preciso buscar exemplos de como os temas da vida se impõem aos escritores através da experiência, porque todos os testemunhos costumam coincidir neste ponto: essa história, esse personagem, essa situação, esse mistério me perseguiu, me obcecou, me importunou como uma exigência vinda do íntimo da minha natureza, e tive que escrevê-la para me ver livre dela...”
Trecho do quarto capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre o estilo.
“A verdade é que essas palavras são as histórias que contam. Conseqüentemente, quando um escritor toma de empréstimo um estilo, a literatura produzida soa falsa, uma mera caricatura. Depois de Borges, García Márquez é o escritor mais imitado da língua espanhola, e embora alguns de seus discípulos tenham se saído bem – isto é, tenham atraído muitos leitores -, a obra, independente do cuidado do discípulo, não adquire vida própria e sua natureza secundária e artificial fica logo evidente. A literatura é puro artifício, mas a boa literatura é capaz de ocultar tal fato, enquanto a medíocre o delata.
Embora me pareça já lhe ter dito, com o acima, tudo que sei sobre estilo, como sua carta pede conselhos práticos, dou a você este: já que não é possível sem um romancista sem ter um estilo coerente e necessário, e visto que você deseja sê-lo, busque e encontre o seu estilo. Leia muitíssimo, porque é impossível ter uma linguagem rica e desenvolta sem ler um bocado de boa literatura, e tente, com todas as suas forças, pois não é tão fácil assim, evitar imitar os estilos dos escritores que admira e que lhe ensinaram a amar a literatura. Imite-os em tudo o mais: na devoção, na dedicação, na disciplina, nos hábitos, e adote, se julgá-las válidas, as suas convicções. Tente, porém, fugir da reprodução mecânica dos padrões e ritmos da escrita de terceiros, pois se você não for capaz de desenvolver um estilo pessoal, aquele que mais convém ao que você pretende contar, suas histórias dificilmente conseguirão se embeber do poder de persuasão que as fará viver.”
Cartas a um Jovem Escritor (tradução de Cartas a um joven novelista)
Mario Vargas Llosa
ISBN: 10 - 85-352-2110-7
Ano: 2006 (Brasil). Original de 1997
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Projeto prevê dedução do IR de gasto com livro de autor brasileiro
Excelente iniciativa!
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/202268-PROJETO-PREVE-DEDUCAO-DO-IR-DE-GASTO-COM-LIVRO-DE-AUTOR-BRASILEIRO.html
OBS: Existe uma enquete na página. Vamos apoiar a causa!
Abraços
Thiago Rulius
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/202268-PROJETO-PREVE-DEDUCAO-DO-IR-DE-GASTO-COM-LIVRO-DE-AUTOR-BRASILEIRO.html
OBS: Existe uma enquete na página. Vamos apoiar a causa!
Abraços
Thiago Rulius
domingo, 18 de setembro de 2011
Reflexões relacionadas a escrita
Veja matéria completa da revista língua, relacionada a escrita criativa e produção de textos, com entrevista a professores e profissionais ligados a cursos de escrita criativa. O artigo inclui também algumas citações de autores da literatura nacional e mundial.
Para ler a matéria clique aqui.
Abraços
Thiago Rulius
Para ler a matéria clique aqui.
Abraços
Thiago Rulius
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro 2011
Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro
Estão abertas as inscrições, de 01 a 31 de outubro, para a edição 2011 do Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FMC).
O João-de-Barro tem o objetivo de valorizar a literatura produzida para crianças e jovens, bem como revelar talentos nesse segmento. Em 2011, o Concurso apresenta novo conceito. Será premiado o melhor livro inédito, escrito em língua portuguesa, com texto e projeto gráfico completo, destinado a crianças e/ou jovens.
O autor da obra vencedora receberá R$ 20 mil, além de uma viagem a Bologna, na Itália, para participar da 49ª Bologna Children´s Book Fair, o maior evento internacional dedicado à literatura infantil e juvenil, que será realizado de 19 a 22 de março de 2012.
Como se inscrever
As inscrições podem ser realizadas até 31 de outubro de 2011, de terça a sexta, exceto feriados, das 9 às 17h, pessoalmente na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, ou enviadas por sedex para a Rua Carangola, 288, térreo, Santo Antônio, Belo Horizonte/MG - CEP: 30330-240.
A ficha de inscrição e a relação de toda a documentação solicitada aos candidatos estarão disponíveis no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), anexos ao edital, que poderá ser acessado por meio do link Licitações e Editais, a partir do dia 1º de setembro.
Avaliação e Julgamento
A avaliação da obras inscritas será feita em duas etapas. Primeiramente, será realizada a conferência dos documentos exigidos no edital, que revelará quais são as obras habilitadas para o julgamento. A lista com a relação das obras inabilitadas será divulgada até 11 de novembro.
Na sequência, um júri composto por três especialistas em literatura, nomeados pela FMC, vai avaliar e julgar as obras, elegendo a vencedora do concurso. O resultado será divulgado no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), até 27 de janeiro de 2012.
Fonte: Guia Entrada Franca
http://www.guiaentradafranca.com.br/cursos-concursos.php?idUrl=2237
Estão abertas as inscrições, de 01 a 31 de outubro, para a edição 2011 do Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FMC).
O João-de-Barro tem o objetivo de valorizar a literatura produzida para crianças e jovens, bem como revelar talentos nesse segmento. Em 2011, o Concurso apresenta novo conceito. Será premiado o melhor livro inédito, escrito em língua portuguesa, com texto e projeto gráfico completo, destinado a crianças e/ou jovens.
O autor da obra vencedora receberá R$ 20 mil, além de uma viagem a Bologna, na Itália, para participar da 49ª Bologna Children´s Book Fair, o maior evento internacional dedicado à literatura infantil e juvenil, que será realizado de 19 a 22 de março de 2012.
Como se inscrever
As inscrições podem ser realizadas até 31 de outubro de 2011, de terça a sexta, exceto feriados, das 9 às 17h, pessoalmente na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, ou enviadas por sedex para a Rua Carangola, 288, térreo, Santo Antônio, Belo Horizonte/MG - CEP: 30330-240.
A ficha de inscrição e a relação de toda a documentação solicitada aos candidatos estarão disponíveis no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), anexos ao edital, que poderá ser acessado por meio do link Licitações e Editais, a partir do dia 1º de setembro.
Avaliação e Julgamento
A avaliação da obras inscritas será feita em duas etapas. Primeiramente, será realizada a conferência dos documentos exigidos no edital, que revelará quais são as obras habilitadas para o julgamento. A lista com a relação das obras inabilitadas será divulgada até 11 de novembro.
Na sequência, um júri composto por três especialistas em literatura, nomeados pela FMC, vai avaliar e julgar as obras, elegendo a vencedora do concurso. O resultado será divulgado no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), até 27 de janeiro de 2012.
Fonte: Guia Entrada Franca
http://www.guiaentradafranca.com.br/cursos-concursos.php?idUrl=2237
Assinar:
Postagens (Atom)


