quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Forum das Letras 2011

Já estão abertas as inscrições para o Forum das Letras 2011, em Ouro Preto/MG.
Mais de sessenta autores também já estão confirmados, entre eles Arthur Dapieve, Henri Loevenbruck, Marcelo Tas, Marina Colasanti e Rubem Alves, para citar os mais famosos.

Acesse o site oficial do evento e faça sua inscrição: http://www.forumdasletras.ufop.br/

Para hospedagem, acesse o site oficial de turismo de Ouro Preto: http://www.ouropreto.org.br/

Eu estarei por lá, e caso consiga acesso a internet farei a cobertura de parte do evento aqui no blog. Se não for possível, contem pelo menos com uma resenha e algumas fotos quando eu voltar.

Abraços
Thiago Rulius

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Métodos para desenvolvimento de texto

Olá.

Não é novidade que muitos escritores se enrolam enquanto desenvolvem seus romances. Acho que a maioria passa por estas dificuldades, tanto por falta de informação quanto de organização.

Vejam meu caso: Após uma fase muito produtiva, meu texto ficou meio "agarrado" nas ultimas semanas. Apesar de ter me estruturado antes de começar a escrever, criando uma espécie de resumo por tópicos e ter melhorado este resumo com modificações (especialmente de trama) por algumas vezes, eu falhei em alguns pontos após esta etapa.

Pude perceber devido ao hábito de fazer cópias do arquivo texto do romance antes de fazer modificações de maior calibre. Além da óbvia vantagem de não perder o conteúdo produzido anteriormente, por manter as versões anteriores do texto, esta técnica  te permite também ver o quanto você está desperdiçando trabalho reescrevendo trechos ou capítulos inteiros de seu romance.

Então, para ajudar aos escritores que tem visitado o blog a serem mais produtivos e errarem menos na produção de seus textos, coloco abaixo dois links do blog Letras Elétricas com dicas relacionadas a produção destes textos. O autor, José Geraldo, chamou estes métodos de Método Cebola e Método Quebra-Cabeças.

Uma boa dica de um destes textos que não segui (por desconhecer a época) e que poderia ter evitado a minha paralisia dos últimos dias: Escrever as primeiras páginas do romance após a conclusão dos resumos para amadurecer a trama e os personagens, e então retornar mais uma vez ao resumo e fazer novos ajustes e melhorias ali, e não no texto já escrito, reduzindo o retrabalho.

Conhece outros métodos? Deixe um comentário.

Abraços
Thiago Rulius

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cartas a um jovem escritor - Mario Vargas Llosa

Existem vários livros de cartas por aí, geralmente com a correspondência entre alguém já consolidado em sua área de atuação e outro ainda inexperiente, ou pouco experiente. Estes livros cobrem diversos assuntos como culinária, religião, empreendedorismo, profissões variadas e é claro, literatura.

No caso da literatura, conheço dois títulos (de mesmo nome): Cartas a um Jovem escritor, da correspondência entre Mario de Andrade e o então jovem Fernando Sabino, e Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa. Tive a oportunidade de ler ambos e considero o ultimo muito superior ao primeiro, então vou me concentrar neste.

Em Cartas a um Jovem Escritor, Mario Vargas Llosa começa com um panorama geral do processo de escrita e um pouco da vida de um escritor. Vocação, fontes de idéias, trabalho solitário, leitura, autenticidade, etc. Este é a parte mais curta do livro, porém tem conteúdo para muita reflexão, e talvez seja a parte do livro que mais me agradou.

Depois, ele entra com capítulos sobre peculiaridades do trabalho de escrita e prática literária: Persuasão, estilo, narração e tempo. A partir daqui, o livro se torna mais objetivo, e Llosa avalia aspectos do romance, e passa a utilizar vários exemplos de livros de escritores como Melville, Flaubert, Hemingway, Faulkner, entre vários outros. Vários romances destes autores são citados com detalhes, e sua lista de títulos aguardando leitura vai aumentar, pois sem duvida você vai querer conhecer as técnicas citadas com maior detalhe, “in loco”.

Por último, são apresentadas técnicas de narração, que costumam variar em nomes, mas que aparecem no livro como Caixa chinesa, Dado Escondido e Vasos comunicantes. Você talvez reconhecerá estas técnicas em livros lidos no passado, onde durante a leitura talvez não tenha se apercebido da intencionalidade de uso de tais técnicas. Nestes últimos capítulos permanecem os detalhes e exemplos utilizando grandes romances da literatura mundial.

Quanto aos livros que cita, Llosa faz comentários sobre o autor, e diz sem nenhuma enrolação se aquele lhe agrada ou não, o que é legal, pois muitas vezes as criticas negativas são evitadas, o que não acontece neste livro.

Recomendo. Abaixo alguns curtos trechos do livro e a ficha para quem quiser comprar o seu.

Trecho do primeiro capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa
“Talvez o atributo principal da vocação literária seja o fato de que quem a possui vivencia o exercício dessa vocação como a sua melhor recompensa, muito, muito superior a qualquer coisa que pudesse obter como conseqüência de seus frutos. Esta é uma certeza que tenho entre as minhas muitas duvidas quanto a vocação literária: o escritor sente intimamente que escrever é a melhor coisa que jamais lhe aconteceu, e pode acontecer, pois escrever significa para ele a melhor maneira possível de viver, independente dos resultados sociais, políticos ou financeiros que possa alcançar com o que escreve.”

Trecho do segundo capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre os temas de ficção.
“Atrevo-me a ir um pouco além na discussão dos temas de ficção. O escritor não escolhe seus temas: é escolhido por eles. Escreve sobre certos assuntos porque certas coisas se passaram com ele. Na escolha de um tema, a liberdade do autor é relativa, talvez inexistente. De toda maneira, incomparavelmente menor do que a que tange à forma literária, onde, me parece, a liberdade – a responsabilidade – do escritor é total. A minha impressão é de que a vida – palavra de peso, estou ciente – lhe impõe os temas através de certas experiências que ficam registradas em seu consciente ou subconsciente e que depois o compelem a livrar-se delas transformando-as em histórias. Nem é preciso buscar exemplos de como os temas da vida se impõem aos escritores através da experiência, porque todos os testemunhos costumam coincidir neste ponto: essa história, esse personagem, essa situação, esse mistério me perseguiu, me obcecou, me importunou como uma exigência vinda do íntimo da minha natureza, e tive que escrevê-la para me ver livre dela...”

Trecho do quarto capitulo de Cartas a um Jovem Escritor, de Mario Vargas Llosa, sobre o estilo.
“A verdade é que essas palavras são as histórias que contam. Conseqüentemente, quando um escritor toma de empréstimo um estilo, a literatura produzida soa falsa, uma mera caricatura. Depois de Borges, García Márquez é o escritor mais imitado da língua espanhola, e embora alguns de seus discípulos tenham se saído bem – isto é, tenham atraído muitos leitores -, a obra, independente do cuidado do discípulo, não adquire vida própria e sua natureza secundária e artificial fica logo evidente. A literatura é puro artifício, mas a boa literatura é capaz de ocultar tal fato, enquanto a medíocre o delata.
 

Embora me pareça já lhe ter dito, com o acima, tudo que sei sobre estilo, como sua carta pede conselhos práticos, dou a você este: já que não é possível sem um romancista sem ter um estilo coerente e necessário, e visto que você deseja sê-lo, busque e encontre o seu estilo. Leia muitíssimo, porque é impossível  ter uma linguagem rica e desenvolta sem ler um bocado de boa literatura, e tente, com todas as suas forças, pois não é tão fácil assim, evitar imitar os estilos dos escritores que admira e que lhe ensinaram a amar a literatura. Imite-os em tudo o mais: na devoção, na dedicação, na disciplina, nos hábitos, e adote, se julgá-las válidas, as suas convicções. Tente, porém, fugir da reprodução mecânica dos padrões e ritmos da escrita de terceiros, pois se você não for capaz de desenvolver um estilo pessoal, aquele que mais convém ao que você pretende contar, suas histórias dificilmente conseguirão se embeber do poder de persuasão que as fará viver.”


Cartas a um Jovem Escritor (tradução de Cartas a um joven novelista)
Mario Vargas Llosa
ISBN: 10 - 85-352-2110-7
Ano: 2006 (Brasil). Original de 1997

domingo, 18 de setembro de 2011

Reflexões relacionadas a escrita

Veja matéria completa da revista língua, relacionada a escrita criativa e produção de textos, com entrevista a professores e profissionais ligados a cursos de escrita criativa. O artigo inclui também algumas citações de autores da literatura nacional e mundial.

Para ler a matéria clique aqui.

Abraços
Thiago Rulius

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro 2011

 Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro


Estão abertas as inscrições, de 01 a 31 de outubro, para a edição 2011 do Concurso Nacional de Literatura João-de-Barro, promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FMC).

O João-de-Barro tem o objetivo de valorizar a literatura produzida para crianças e jovens, bem como revelar talentos nesse segmento. Em 2011, o Concurso apresenta novo conceito. Será premiado o melhor livro inédito, escrito em língua portuguesa, com texto e projeto gráfico completo, destinado a crianças e/ou jovens.

O autor da obra vencedora receberá R$ 20 mil, além de uma viagem a Bologna, na Itália, para participar da 49ª Bologna Children´s Book Fair, o maior evento internacional dedicado à literatura infantil e juvenil, que será realizado de 19 a 22 de março de 2012.

Como se inscrever

As inscrições podem ser realizadas até 31 de outubro de 2011, de terça a sexta, exceto feriados, das 9 às 17h, pessoalmente na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, ou enviadas por sedex para a Rua Carangola, 288, térreo, Santo Antônio, Belo Horizonte/MG - CEP: 30330-240.

A ficha de inscrição e a relação de toda a documentação solicitada aos candidatos estarão disponíveis no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), anexos ao edital, que poderá ser acessado por meio do link Licitações e Editais, a partir do dia 1º de setembro.

Avaliação e Julgamento

A avaliação da obras inscritas será feita em duas etapas. Primeiramente, será realizada a conferência dos documentos exigidos no edital, que revelará quais são as obras habilitadas para o julgamento. A lista com a relação das obras inabilitadas será divulgada até 11 de novembro.

Na sequência, um júri composto por três especialistas em literatura, nomeados pela FMC, vai avaliar e julgar as obras, elegendo a vencedora do concurso. O resultado será divulgado no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e no site da FMC (www.pbh.gov.br/cultura), até 27 de janeiro de 2012.

Fonte: Guia Entrada Franca
http://www.guiaentradafranca.com.br/cursos-concursos.php?idUrl=2237

domingo, 4 de setembro de 2011

Rumos da literatura para jovens (mesa redonda) - Cobertura do Salão do livro infantil e juvenil de Minas Gerais

Mesa redonda: Rumos da literatura para jovens
Participantes: Luis Giffoni, Ligia Cademartori e Vera Maria Tietzmann.
Mediação: Maria Zélia Versiani
Local: Salão do livro infantil e juvenil de Minas Gerias 2011


No ultimo sábado retornei ao Salão do livro infantil e juvenil de Minas Gerais, para assistir a mesa redonda Rumos da Literatura para Jovens. Fui como um curioso, sem a certeza de que a “pauta” da mesa pudesse ser aplicada ao meu trabalho como escritor amador. Nunca produzi texto algum que possa ser classificado como literatura infantil ou juvenil.

Com o início da discussão pude perceber que o tema interessaria a qualquer escritor. Ligia Cademartori foi a primeira a se manifestar, questionando a existência de uma “literatura juvenil”. E o debate correu muito neste caminho. Crianças lêem literatura infantil, claro. Mas, e os jovens? Lêem o que chamamos de literatura juvenil, mas também lêem livros para adultos. Ligia ainda citou casos de escritores como Luiz Ruffato e João Paulo Cuenca (entre outros), que ela conversou no passado e perguntou sobre livros que marcaram a entrada deles para o mundo literário. Não o primeiro livro que eles leram, mas o primeiro livro marcante, que fez diferença: segundo ela todos responderam títulos para adultos, lidos na adolescência. E aí, pensando no meu caso, foi à mesma coisa. A escola me mandou ler alguns livros de adolescentes, que hoje já nem me recordo mais, pois eram livros fracos e/ou de pouco conteúdo. E hoje ainda me lembro de alguns livros infantis que me marcaram, e depois destes tenho recordações claras somente dos livros para adultos.

Talvez a categoria de livros juvenis, como alguém disse por lá, só exista movida pelas compras destes livros pelas escolas. Se estas comprassem livros para adultos, estariam fazendo muito mais tanto para os alunos quanto para a literatura em geral, e desta forma trazendo os jovens para o mundo da literatura de forma mais eficaz (devido a qualidade e interesse das obras adultas). Como disse (e muito bem) o Luis Giffoni, em relação aos jovens terem de ler livros infantis muitas vezes de péssima qualidade e conteúdo (não exatamente com estas palavras): O jovem de dezesseis anos tem maturidade suficiente para ajudar a decidir o destino do país, mas literariamente não pode decidir o próprio destino. Para exemplificar os livros juvenis de baixa qualidade ou nonsense, ele citou um livro com um titulo do tipo Machado de Assis contado por vampiros. É mole? Isso espanta qualquer um. Outra colocação muito pertinente do Luis foi o fato destes livros juvenis não tratarem com profundidade temas como sexo e morte, que obviamente interessa (e muito) aos jovens.

A conclusão é que os jovens podem ser considerados como adultos, e por isso tem condições de ler literatura adulta e livros em texto integral, sem precisar de adaptações (estas válidas em especial para introduzir crianças no mundo literário). O tamanho do livro, quando este agrada ao leitor, não assusta. Eu mesmo li O Senhor dos anéis, com as suas mais de mil páginas, aos treze anos, e o que tem de jovem que leu a série Harry Potter inteira por aí, não é brincadeira.

Então, vamos refletir sobre este assunto?

Voltando ao salão, ainda ocorrerão outras mesas redondas no Salão do livro infantil e juvenil de Minas Gerais. Vamos aproveitar. Espero cobrir mais mesas redondas ou bate-papo com autores. Aguardem novidades.

Para ver a programação no site oficial do evento clique aqui.

Abraços.
Thiago Rulius